A Reengenharia

 

A reengenharia surgiu na década de 1990, com Hammer e Champy, como uma forma de responder às intensas mudanças globais ocorridas nos cenários econômicos, tecnológicos e culturais.

É baseada nos princípios da quebra de departamentalização e desburocratização, com ênfase nos processos que geram valor para o cliente.

A reengenharia foca os processos, e repensa conceitos, métodos e sistemas: primeiro define o que precisa ser feito e somente depois se preocupa em como fazer.

Para Hammer e Champy a reengenharia é “implementação de mudanças radicais que, ao redesenhar os processos de trabalho, visam melhorar, de forma drástica, a eficácia da empresa, em todos os seus aspectos tais como custos, qualidade, serviço e velocidade”.

A reengenharia provoca fortes alterações na organização, “representa uma reconstrução e não simplesmente uma reforma”.

Não é utilizada para “fazer reparos rápidos ou mudanças cosméticas na engenharia atual, mas fazer um desenho organizacional totalmente novo e diferente”.

A reengenharia utiliza palavras-chaves como: “fundamental, radical, drástica e processos” (Chiavenato, 2004).

Atenção! São palavras-chaves que identificam a reengenharia: fundamental, radical, drástica, processos.

A reengenharia de processos apresenta-se como uma revolução que rompe os paradigmas tradicionais de administração.

Na reengenharia, o nível de mudanças é radical e ocorre de uma só vez, promovendo mudanças na estrutura e na cultura, e apresentando dois componentes principais: a tecnologia da informação e os recursos humanos.

Fator crítico de sucesso para a reengenharia são as pessoas, que devem ser preparadas e incentivadas a participar da mudança. A Tecnologia da Informação – TI – é fator-chave  no processo de reengenharia; é ela que possibilita a inovação, as novas maneiras de se fazer melhor, mais rápido e com menores custos.

Regra geral, os processos de reengenharia envolvem um novo sistema de informações, um novo software organizacional.

A reengenharia é uma forma de intervenção estratégica para adaptar as organizações às mudanças no ambiente em que atuam.

Ela utiliza a tecnologia para “fazer mais com menos”, para transformar a organização com vistas a: 1) aumentar a satisfação dos clientes; 2) melhorar a qualidade dos produtos e serviços; 3) e reduzir custos operacionais.

A reengenharia não pode ser confundida com a utilização da tecnologia apenas para melhorar os processos ou para fazer mais rápido o trabalho.

Atenção! A reengenharia poderá abranger uma área apenas, ou toda a organização.

São objetivos principais da reengenharia:

1) aumentar a qualidade dos produtos e serviços;

2) aumentar a satisfação dos clientes quanto aos produtos/serviços;

3) ampliar a competitividade da organização;

4) aumentar a produtividade, reduzir custos e aumentar o lucro;

5) melhorar a flexibilidade e facilitar a adaptação às mutações  no ambiente;

6) facilitar e simplificar as operações.

Há dois tipos de reengenharia segundo os autores da matéria: a reengenharia de negócios e a reengenharia de processos.

A primeira pode alterar, inclusive, a visão da organização e o seu negócio; e a segunda começa com os negócios já definidos e redefine os processos.

Um novo negócio pode ser construído mediante a aquisição de empresas detentoras  de know-how na área desejada.

Reengenharia de negócios: Pode redefinir o negócio.

Reengenharia de processos: Só redefini os processos.

O projeto de reengenharia envolve dois momentos: o antes e o depois, e no meio deles encontra-se a mudança planejada.

Muda-se a tecnologia (equipamentos e software), mudam-se os processos (meios de como fazer), mudam as pessoas (cultura organizacional) e muda-se a estrutura organizacional.

Dentre as principais mudanças verificadas nos processos de reengenharia destacam-se:

1) Mudam-se os departamentos funcionais para equipes de trabalho;

2) Mudam-se as tarefas simples para multidimensionais e coletivas;

3) Muda-se o treinamento básico para a educação continuada;

4) Muda-se a medida de desempenho e a forma  de remuneração, agora baseada  nos resultados efetivos;

5) Mudam-se os gerentes, de supervisores para instrutores/facilitadores;

6) Mudam-se as estruturas, de hierárquicas para achatadas/horizontalizadas.

Reengenharia significar abandonar os processos existentes e começar do zero.

Primeiro se define o que deve ser feito e depois se estabelece como fazer (Hammer, 1990).

É um processo top-down (de cima para baixo), visto que abrange investimentos  e riscos; envolve estudos e pesquisas; exige mudança e capacitação das pessoas; além, é claro, de criatividade e muita coragem.

Antes, porém, de optar pela reengenharia, é preciso  mapear os processos e conhecer os sistemas e as tecnologias utilizadas pela empresa, pois a maior parte dos recursos gastos no projeto de reengenharia serão destinados a compreender e redocumentar os processos e sistemas existentes.

Atenção! De maneira bem simples, a reengenharia é o redesenho dos processos organizacionais com desenvolvimento e implantação de um novo software (sistema de informação), readequação da estrutura e treinamento do pessoal para utilizá-lo.

Mas esse novo “jeito” de fazer  mudar cultura, muda estrutura e muda processos.

A reengenharia é uma atividade permanente que acompanha as mudanças no ambiente, na tecnologia e nas variáveis do negócio.

Portanto, as empresas deverão ter em mãos, e bem definido, o mapeamento de todos os seus processos, a fim de que as alterações possam ser implementadas rapidamente, sem grande consumo de recursos, tornando-se um diferencial competitivo para a organização.

A reengenharia não deve ser confundida com outras ferramentas.

Ela não é: downsizing, reestruturação, reorganização, simplificação, automação, etc.

A reengenharia logo perdeu seu encanto, pois, na prática, falhou em seus propósitos e demonstrou falta de agilidade e flexibilidade frente às mudanças.

A partir da virada do século surgiu a “reengenharia da reengenharia”: a Gestão de Processos de Negócios, conhecida pelo termo BPM – Business Process Management.